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Plano de Aula
Plaft! Soc! Bum! Pou!!
Ensino Médio
1º ao 3º ano
Objetivos: Refletir sobre o impacto da violência
dos desenhos animados sobre o indivíduo
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Filosofia
Atitude filosófica e vida cotidianaA violência exagerada dos desenhos animados e dos filmes não é capaz de aumentar a agressividade dos espectadores
Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
Bichinhos legais
25 de novembro de 1998
Objetivos
Refletir sobre o impacto da violência dos desenhos animados sobre o indivíduo.
Introdução Acompanhe esta seqüência:
Luís, oito anos, assiste a um desenho animado na sala de casa.
Na tela, o Papa-Léguas atira um pesada bigorna, do alto de um penhasco, na cabeça do Coiote, seu eterno inimigo. Bip! Bip!
O pobre Coiote fica achatado como uma panqueca.
Luís arregala os olhos. Com um sorriso suspeito, pega um vaso de cima da mesa.
Sobe a escada vai até o berço em que dorme seu irmãozinho Pedro. PLOFT!!
A cabeça do bebê vira geléia.
A não ser que Luís fosse um perigoso psicopata-mirim, tal cena jamais aconteceria.
Considerar que tiros e sangue de mentira provocam ou reforçam o que acontece na vida real - como fazem os politicamente corretos - é uma forma simplista de explicar a violência da nossa sociedade. O ser humano, felizmente, é muito mais complexo do que insinuam esses psicologismos rasos. Coloque a questão em discussão na classe.
Texto de Apoio Nos anos 70, era moda estudar a influência dos programas infantis, desenhos animados e filmes na formação do cidadão. Não eram raras as pesquisas (na área da Psicologia Experimental) que expunham crianças a uma programação considerada violenta e logo após davam a essas cobaias um pedaço de pau e um boneco para checar se elas - influenciadas pelo programa - o malhariam. Ainda hoje há estudos que expõem adolescentes a filmes violentos e, logo após, pedem a eles que pratiquem um esporte, concluindo que o fazem de forma mais violenta. Tão caricaturais quanto filmes classe C, essas pesquisas reduzem a complexidade do psiquismo, sugerindo que o jovem é manipulável, sujeito a modelos mecanicistas. Para nossa sorte, o psiquismo humano é muito mais complexo do que um simples conjunto de causas e efeitos. Ele está sujeito à história de vida de cada um, ainda que dentro de uma mesma classe social ou faixa etária. Por isso, a violência caricatural dos personagens de desenhos animados e filmes não deve ser responsabilizada como causa ou facilitadora da violência real. Está certo que uma criança ou um adolescente, ao ver uma cena de violência, experimenta algumas vezes um processo catártico, ou seja, vê-se momentaneamente no papel da vítima ou do vilão. Isso não significa, entretanto, que eles vão incorporar os conteúdos da violência. É muito provável que essa "vivência" do papel da vítima ou do agressor seja saudável, já que os ajuda a elaborar seus próprios conteúdos agressivos. As crianças que assistem ao Tom (de Tom e Jerry) ser cortado em fatias ou achatado por um rolo compressor percebem que a violência está sendo tratada com fantasia e exagero. Trata-se de uma maneira de tornar acessível aquilo que, na realidade, é horrível até de se pensar, permitindo que a criança e o adolescente lidem com seus medos.
O mesmo papel cabe às histórias orais e aos livros que, analisados com os tais olhos "politicamente corretos", podem ser considerados tão "violentos" como os desenhos animados . O que talvez seja realmente sério nessa relação da criança e do adolescente com as programações diárias de televisão é o tempo em que ficam expostas a esquemas e modelos estéticos repetitivos. Talvez esse lazer indolente de deixar-se levar pela programação desse uma excelente (e séria) pesquisa: por que as crianças e jovens se deixam levar por tanta repetição? Não seria pelo fato de que o jovem, no final, necessite desses programas para lidar com uma violência sorrateira e mascarada imposta por um modo de vida competitivo e violento?
Atividades 1.
Organize um debate com a turma em que apareçam as seguintes questões: a violência exibida nos programas infantis e filmes tem o poder de transformar o telespectador infanto-juvenil em pessoa violenta? Ao viver a emoção simbólica da violência, o espectador poderia estar descarregando simbolicamente suas emoções negativas? Os filmes fazem mal pelas próprias cenas ou porque monopolizam a mente do espectador, que se deixa levar pela programação?
2. Para trabalhar com a linguagem dos desenhos animados, grave um deles em vídeo (sugestões: Beavis e Butt-Head, Os Simpsons, Frajola e Piu-Piu, Tom e Jerry) e peça aos alunos para destacarem a fábula (a história contada), o enredo (como foi contada) e os detalhes que, na opinão deles, atingem a emoção do público (riso, medo, expectativa etc.). Em seguida, inicie um exercício de observação dos seguintes elementos: a. Intertextualidade: a história lembra alguma outra? O autor partiu de alguma história já conhecida? b. Estereótipos e clichês: destaque dicotomias como o bem contra o mal, o esperto contra o bobo, o grandalhão contra o fraco. Clichês, como a bomba que estoura sempre na mão do vilão, certamente serão percebidos. c. Textualidade (estratégia da previsibilidade): aguce a capacidade de previsão da turma: tome um filme de ação, mostre as primeiras cenas e desligue a TV. Em seguida, pergunte a cada aluno como será o desfecho e por quê. Passe o restante do filme e confira as previsões. As fadas tinham dentes. E mordiam!
Histórias infantis nem sempre tiveram finais felizes, enredos cor-de-rosa e perdão para os vilões. Os mais famosos contos de fadas, originários da história oral da Idade Média e depois registrados pelos Irmãos Grimm, carregam em seus enredos cenas de arrepiar os cabelos de qualquer adulto. Os originais de O Pequeno Polegar, por exemplo, não omitem uma só gota de sangue jorrado das cinco meninas degoladas por engano pelo próprio pai, um malvado Ogro, que queria matar o Polegar e seus irmãos. A madrasta malvada de Branca de Neve é obrigada, no final da história, a vestir chinelos de ferro em brasa e dançar até morrer. Aliás, não foi por pena que os sete anões recolheram a jovem e pálida princesa que encontraram na floresta. Eles a julgaram a pessoa ideal para fazer os serviços da casa, como lavar suas roupas e preparar seu almoço. A meiga história de Cinderela também tem seus momentos de terror: sem conseguir vestir os pequenos e delicados sapatinhos, as irmãs más cortam com uma faca os dedos dos pés e os calcanhares. As pombas brancas, amigas da mocinha, denunciam a farsa ao princípe, quando vêem o fio de sangue que saía dos sapatinhos. No casamento de Cinderela, as mesmas pombinhas vingativas furam os olhos das duas, cegando-as para sempre. O realismo dessas histórias foi mantido e revisto várias vezes ao longo do tempo. Charles Perrault, por exemplo, autor que recontou vários contos de Grimm, adaptou-os ao gosto da aristocracia francesa do século XVII, abrandando as passagens mais cruas e criando desfechos felizes. De lá para cá, esse processo se acentuou chegando a distorcer profundamente os enredos originais. É o caso de Chapeuzinho Vermelho. Os Grimm descrevem com detalhes como o lobo mastiga a menina e sua avó. Perrault ameniza os detalhes das mortes, mas elas efetivamente acontecem. Na literatura moderna, aparece a figura do caçador, que salva as vítimas da mocarra do lobo e o mata.
quinta-feira, 5 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009

EDUCAÇÃO FÍSICA
O que está em jogo
O que está em jogo
O que muda no trabalho da disciplina com os PCN?
Quais são os conteúdos de Educação Física?
Como o professor de Educação Física deve encarar a superação de limites?
Quais as maiores dificuldades na aplicação dos PCN de 1ª a 4ª série?
As crianças têm habilidades diferentes. Na Educação Física, essas diferenças são mais perceptíveis. Como é possível não deixar de lado quem tem mais dificuldade para as atividades físicas?
Como funciona a valorização do conhecimento prévio da criança na Educação Física?
Que critério o professor deve usar para organizar seus conteúdos?
Como a Educação Física trata os Temas Transversais?
Qual deve ser a postura do professor diante dessas novas propostas?
O que muda na avaliação?
A avaliação tradicional contabiliza a freqüência e a participação. Agora, é preciso olhar o processo de aprendizagem e não o resultado isoladamente. Para tanto, o professor precisa criar novos instrumentos de avaliação. Por exemplo, criar uma ficha de condicionamento físico para que os alunos anotem o que estão fazendo em casa é um jeito interessante de avaliar o compromisso, a disciplina, a organização e ao mesmo tempo perceber como eles estão aplicando o que foi aprendido, verificar se os conteúdos ficaram claros. Muito mais do que definir um conceito para os alunos, esse tipo de instrumento deve servir de base para a discussão e reflexão em grupo de professores entre si, e entre professores e alunos.

ARTES
As inovações das Artes
As inovações das Artes
Em Artes, os PCN propõem que os professores orientem as crianças para desenvolver a observação, a imaginação e a sensibilidade. Desenvolvimento que se dá por meio de quatro linguagens artísticas: artes visuais, música, dança e teatro.
O que os PCN propõem para o ensino de Artes de 1ª a 4ª série?
Um dos pontos inovadores dos PCN é o rompimento da dicotomia entre arte e ciência, entre pensar e agir, entre sentimento e pensamento. O ensino de Artes visa desenvolver na criança e a sensibilidade, essenciais também para a aprendizagem das demais disciplinas. Esse desenvolvimento se dá por meio de quatro linguagens artísticas – música, dança, teatro e artes visuais. A maneira de trabalhar os conteúdos também é inovadora. Até aqui, a maioria das escola que inclui a dança em sua programação, o faz por meio de coreografias sem nenhuma espontaneidade ou criatividade. Também são comuns as aulas de balé em algumas escolas particulares, num movimento oposto ao que acontece nas ruas do Brasil, onde a dança explode naturalmente como um elemento fundamental da nossa identidade cultural. Outras mudanças são a substituição de artes plásticas por artes visuais e a a inclusão do teatro, que até então se resumia praticamente às famosas montagens de "pecinhas" de final de ano.
Qual a maior dificuldade no ensino de Artes de 1ª a 4ª série?
É a formação do professor, que na maioria das vezes é polivalente, isto é, tem de dar conta de Artes, Português, Matemática, História, Geografia, Ciências e Educação Física, sem falar nos temas transversais. Assim, é comum que o professor não tenha muita experiência em arte, nem reflexão sobre as quatro linguagens em que ela se desdobra no ensino. Daí a necessidade de um programa para a formação contínua desses professores. Nesse sentido, os professores de 5ª a 8ª série, que têm formação específica, podem ajudar a superar as lacunas. De qualquer forma, é importante que a escola tenha um projeto educativo que dê subsídios para que o professor possa se lançar nesse desafio. Outra questão é a dificuldade de dar aula em 50 minutos semanais. Deveriam ser, no mínimo, duas aulas por semana.
Por que Artes Visuais e não Artes Plásticas?
Artes plásticas são a pintura, a escultura, o desenho, a gravura, o artefato. Artes visuais é um conceito mais amplo, que inclui novas modalidades que resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas modernas, como fotografia, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação e performance. A função comunicativa da arte adquire uma importância muito maior de acordo com a proposta de artes visuais. Essa nova forma de encarar a arte também acentua o seu caráter histórico, como um processo construído pelo ser humano e portanto, em contínua transformação.
Qual é o objetivo do ensino de dança?
A criança não pára de se movimentar. Correr e pular são atividades mais do que naturais para as crianças que estão conhecendo o próprio corpo, um elemento fundamental na construção da autonomia. Até os 10 anos, a criança possui um vocabulário gestual fluente e expressivo, isto é, ela se movimenta com liberdade e criatividade. O objetivo da dança é fazê-la entender o funcionamento de seu próprio corpo para que possa usá-lo expressivamente com inteligência, autonomia, responsabilidade e sensibilidade.
Qual é a função do teatro?
No Ensino Fundamental, o teatro proporciona experiências que contribuem para o crescimento integrado da criança, unindo ação e emoção, reflexão e expressão. Além disso, trata-se de uma arte construída coletivamente – mesmo que se trate de um monólogo. A existência de diversos profissionais, como o cenógrafo, o figurinista, o sonoplasta e o iluminador faz do teatro uma arte que possibilita uma troca de experiências coletivas e muito enriquecedoras.
Qual é a saída diante da falta de formação artística da maioria dos professores?
De acordo com os Parâmetros, arte não é só criação. É também saber apreciá-la e refletir sobre seus significados. Esta pode ser uma alternativa para quem não tem uma habilidade especial para as várias linguagens artísticas. Outra alternativa são os professores/artistas convidados. Se o professor não sabe tocar um instrumento musical ou é desafinado, nem por isso está impedido de dar aula de música. Ele pode ensinar seus alunos a apreciarem a linguagem musical, a ouvir, explorando as diferenças entre o som e o silêncio, a sonoridade grave e a aguda, por exemplo. O professor pode não ser um Beethoven ou um Michelangelo, mas deve ter a capacidade de se expressar. É importante que ele tenha isso em mente para não exigir que seus alunos produzam obras-primas. Sua função é a de ajudá-los a desenvolver a capacidade de se comunicar, de expressar seus sentimentos e suas idéias por meio das linguagens artísticas à sua disposição. Também é importante não comparar cada um se expressa na medida das suas possibilidades, com mais facilidade em uma área do que em outras.
Se o professor tiver formação em uma linguagem específica, ele está apto a ensinar as outras três?
É claro que é praticamente impossível trabalhar as quarto linguagens ao mesmo tempo. A sugestão é dividir segundo os ciclos de dois anos – duas linguagens por ciclo. Pode-se escolher duas linguagens durante um ano e repeti-las no ano seguinte ou trabalhau sobre apenas uma linguagem ao longo do ano inteiro. Isso fica a critério da escola, de acordo com o seu projeto educativo. Em geral, as crianças do primeiro ciclo gostam de cantar, brincar e fazer atividades plásticas. Isso pode servir como guia para a montagem do currículo. O que não se pode fazer é passar os quatro anos dos dois ciclos com apenas uma linguagem artística.
Como se utiliza o conhecimento prévio em relação às Artes?
Os PCN estimulam o professor a trabalhar com as manifestações artísticas típicas da região em que vive. Esse é um bom ponto de partida inclusive para a escolha de conteúdos. Outro dado importante atualmente é aproveitar a interligação entre arte e meios de comunicação de massa. A arte pode ser usada para contar a história da cultura e da própria vida das populações.
Qual é o tratamento para os temas transversais nas Artes?
Eles vêm à tona naturalmente. O respeito ao trabalho alheio é um ponto fundamental da educação pela arte e resgata uma questão ética básica em nossos dias. A discussão sobre o meio ambiente também emerge facilmente pela percepção de diferentes sonoridades, como o som da natureza, o som da cidade, a poluição sonora. A reciclagem de papel é um jeito sensível e divertido de ilustrar uma discussão interessante sobre a preservação ambiental. Quanto mais papel for reciclado, menos ávores serão derrubadas. O reconhecimento e a valorização das expressões artísticas dos mais diversos povos é uma forma de apresentar a questão da pluralidade cultural.
O que muda nos critérios de avaliação?
A avaliação pode ser feita por meio de imagens, dramatizações ou composições musicais, ou ainda pela exploração de pequenos textos ou falas em que as crianças abordem os conteúdos estudados. O professor deve estar atento para que a resposta seja pessoal e coerente com o que foi estudado e com as as possibilidades de o aluno aprender. Para tanto, é importante que ele conheça a articulação dos saberes da criança e seus modos de representação dos conteúdos.
sábado, 21 de fevereiro de 2009

O mundo da Geografia
A Geografia é essencialmente uma história da natureza. Para conhecê-la e aprender a interpretá-la, os PCN sugerem o estudo das paisagens e das relações que se estabelecem entre estas e as sociedades humanas.
O que os PCN propõem para o ensino desta disciplina?
Ao final da 4a série, o aluno deve ter desenvolvido uma série da habilidades, como leitura, interpretação e representação do espaço por meio de mapas; reconhecimento da paisagem local e comparação dela com outras paisagens. Também deve ser capaz de perceber as diferenças entre campo e cidade, o papel das tecnologias, da informação, da comunicação e dos transportes na transformação das paisagens e na estruturação da vida em sociedade.
HistóriaHistórias que a História revela
A História trabalha com a temporalidade ou a relação do ser humano com o tempo, os sujeitos e os fatos históricos. Mas os PCN alertam: o tempo não é apenas linear, os sujeitos não se limitam aos grandes personagens e os fatos históricos não se restringem aos acontecimentos políticos.
Quais são as temáticas específicas desta disciplina?
A História trabalha com a temporalidade, isto é, a relação do ser humano com o tempo, os sujeitos e os fatos históricos. Os PCN abrem novas perspectivas ao lembrar o professor de que o tempo não é apenas linear – hoje, amanhã, depois de amanhã, no ano 2001, 2002 etc. – ; que os sujeitos históricos não são apenas os grandes personagens e que os fatos históricos não se restringem aos acontecimentos políticos. Para tanto, é preciso ter um repertório de história cultural, história da mulher, da criança etc. O primeiro passo é saber que existem outras histórias a serem exploradas. É preciso confrontá-las com o mundo real, com o cotidiano das crianças e dos jovens. A cada momento é preciso fazer a ligação entre passado e presente.
Quais são as maiores dificuldades na aplicação dos PCN no ensino de História de 1ª a 4ª série?
Uma das grandes dificuldades é a falta de tradição no ensino de História. Durante muito tempo, os professores ensinaram Estudos Sociais, uma disciplina que se apoiava no nacionalismo e em datas cívicas, como a independência e a proclamação da República. Eram fatos isolados e não se dava importância ao processo histórico. Para o professor de 1ª a 4ª série que tem formação em magistério, às vezes é difícil entender o que a disciplina de História tem de específico. Uma idéia para superar essa dificuldade é estabelecer um diálogo e formas de cooperação com os professores de 5ª a 8ª série.
Como se aplica o construtivismo no estudo de História?
Essa é outra dificuldade. Muitos professores de 1ª a 4ª série não conseguem aplicar a postura construtivista a essa disciplina. Desde os anos de 1970, uma maioria expressiva de professores interpretou e concluiu que o ensino construtivista de História devia concentrar-se nos chamados círculos concêntricos. A idéia era a de que as crianças pequenas só entendem o que é concreto — e esse conceito foi entendido literalmente.Assim, nas duas séries iniciais, a criança estudava sua identidade, sua família, a escola e o bairro. Na terceira série, ela estudava o município e, na quarta, o Brasil. Isso acabou consolidando algumas temáticas sem questionamento. Por exemplo: a imigração se transformou em um tema tradicional, sem considerar a realidade das crianças. Os professores precisam relativizar, pois numa classe na periferia de São Paulo, os pais das crianças não vieram da Itália ou da Alemanha, mas provavelmente do Nordeste e de Minas Gerais. Se o professor esquece a origem das crianças e só enaltece o trabalho dos imigrantes europeus, seus alunos ficam mudos, murcham, sentem-se desvalorizados.Felizmente, esse quadro pode ser alterado. O próprio professor pode servir como referência, caso seu pai tenha vindo de Pernambuco, ou sua da mãe, de Goiás, por exemplo. Se a mãe da criança é sozinha, isso não deve ser motivo de vergonha para ela. Essa é a realidade de uma grande parte da população brasileira. É a história social brasileira. Isso é partir da realidade dos alunos, segundo uma postura construtivista.
O que deve ser privilegiado em História de 1ª a 4ª série?
Os Parâmetros detalham dois grandes eixos temáticos – a história local e do cotidiano, e a história das organizações populacionais. A história do cotidiano pode incluir, por exemplo, o alimento que está sobre a mesa e que tem uma referência cultural. A criança precisa desenvolver a capacidade de olhar a mesa e reconhecer a origem da comida que está sobre ela, qual é o seu significado. A história do cotidiano é muito importante, pois é esse o espaço que a criança e o jovem têm para mudar, para adotar uma determinada atitude. É no dia-a-dia que eles podem aprender a valorizar e proteger o meio ambiente no seu entorno. É no cotidiano que vão aprender a valorizar a mãe lavadeira, por exemplo, que luta para criá-lo.
Como se trabalham os eixos temáticos?
O jeito mais fácil de tratar os eixos temáticos é por meio dos subtemas propostos nos PCN. Seja qual for o tema, o fundamental é que o passado só faz sentido na relação com o presente. Mas a idéia de trazer os problemas para o presente às vezes faz com que os professores se limitem aos dias de hoje. Por exemplo: para tratar a questão da cidadania, é preciso pesquisar quando e onde ela surgiu, como era entre os gregos, como se foi transformando ao longo da história. O ponto é entender o mundo atual dentro da temporalidade. O professor precisa fazer escolhas, ter autonomia como educador e como professor de História.
E como se trata a história local?
Um exemplo de tema de história local é a realidade dos povos indígenas. É o resgate da história dos moradores locais há 200 ou 500 anos. Como é a relação da comunidade em questão com os povos indígenas hoje e como era no passado? Esse tema aborda a temporalidade e é também um modo de apresentar a diversidade étnica e cultural do povo brasileiro. É importante lembrar que no Brasil existem 170 diferentes línguas e que os povos indígenas são os donos de um imenso patrimônio cultural. Esse é um jeito de fazer as crianças conhecerem a nossa identidade e se sentirem donas dessa herança.
Como os PCN encaram a questão dos nomes e datas tradicionalmente decorados em História?
Muitos dados permanecem, pois servem como balizas para a compreensão do mundo contemporâneo. O que muda é a relação com eles. A memória é usada em diferentes situações na vida. Por exemplo, quando o aluno vir um quadro do pintor holandês Frans Post, vai perceber que aquele tipo de pintura é diferente da atual e que traz uma série de referências de sua época. O fundamental é saber transferir o conhecimento adquirido para a vida diária.As datas servem para nos localizarmos no tempo, entender o que veio antes e o que veio depois. Uma proposta interessante é o trabalho com as durações, quer dizer, não é a data sozinha, mas o período que um determinado evento ocupa no tempo. Algumas durações são curtas, outras mais longas, outras longuíssimas.Em que o tempo de duração de um evento influencia a socidade? Por exemplo, a escravidão no Brasil durou mais de 300 anos. Esse tempo produziu efeitos na sociedade brasileira que perduram até hoje. É importante perceber que há várias dimensões de tempo simultaneamente. Por exemplo: o presidente muda a cada quatro ou oito anos, mas todas as trocas estão dentro de um mesmo sistema econômico, o capitalismo, que já dura mais de 400 anos.
Quais são as fontes para o ensino de História?
É importante ensinar a criança a manusear vários tipos de documentação. Cartas, jornais, documentos pessoais, entrevistas são fontes para o ensino de História. No trabalho com a memória, a pesquisa com pessoas mais velhas na comunidade ou na família e o levantamento de dados em jornais antigos são duas ferramentas bastante ricas. Esses procedimentos podem ser usados, por exemplo, para resgatar a história da água. Onde se pegava água há 50 anos, como as mulheres lavavam a roupa. Pessoas muito velhas podem contar a história da cidade.A leitura de imagens também é muito importante. Por isso, deve-se valorizar o contato com vídeos e obras de arte. Na realidade, o professor ensina o aluno a pesquisar, uma atividade que ele exercitará a vida toda.
Como a História trabalha os temas transversais?
Em História, os eixos temáticos são os próprios temas transverais, que na verdade representam os grandes temas do mundo de hoje. De 1ª a 4ª série, a história local deve ser confrontada com a história de outros lugares. Assim, pesquisar as migrações no Brasil dentro do eixo de deslocamentos das populações leva à discussão sobre a formação da identidade e da cidadania. É a própria pluralidade cultural. A ética, por seu lado, permeia as relações entre os diversos povos que se encontram em um determinado lugar e isso deve ser lembrado. Outro exemplo: o estudo da história da água – como era o abastecimento antigamente; como é hoje; o que a água representa para o mundo atual – também pode levar a um debate ético sobre a economia de água ou sua importância para a saúde humana.
O que a criança precisa saber da História?
Uma habilidade básica é aprender a se localizar no tempo e compreender que o tempo não é uma categoria absoluta, mas construída socialmente. Tanto que além do nosso, existem outros calendários e outras formas de contar o tempo. É preciso perceber a dimensão social e cultural dessas construções. Dessa forma, os fatos políticos e os grandes personagensdeixam de ser o tema dominante da História, que adquire a perspectiva de um processo em construção permanente.
Como deve ser o uso do livro didático?
Mesmo que os livros sejam ruins, eles podem ser aproveitados. Apresentando vários deles, é possível mostrar que há opiniões diferentes, vinculadas a diferentes posições ideológicas. Por exemplo, se o professor estiver tratando da Revolta de Canudos, pode confrontar os livros com notícias de jornais. O livro também pode ser uma fonte para o trabalho com imagens, como as reproduções de obras de arte.
Como as atitudes são trabalhadas em História?
As atitudes partem de uma perspectiva do cotidiano, pois é no dia-a-dia que as pessoas se posicionam. A História proposta pelos PCN é o conhecimento na relação com a vida das pessoas. É este aprendizado significativo que vai gerar umadeterminada atitude. Nesse sentido, é importante escolher temas que possibilitem a ação no mundo, problemas que têm de ser enfrentados. Voltando ao exemplo da água, economizá-la é fundamental para que não falte para ninguém.É uma questão de respeito pelo outro, de cidadania. Outra possibilidade é refletir como se constrói uma identidade latino-americana a partir da comida. Qual é a diferença entre batata chips e um prato de arroz com feijão? A quem interessam os alimentos industrializados? Que escolhas podemos fazer diante desses alimentos?
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Ciências
As Ciências e os instrumentos para conhecer o mundo
Com os PCN, as definições de conceitos não são mais o ponto de partida do ensino de Ciências, e sim o ponto de chegada: as experiências, as observações, as discussões em grupo e as comparações é que permitem às crianças construir esses conhecimentos.
O que os PCN alteram no ensino de Ciências de 1ª a 4ª série?
No ensino tradicional, o ponto de partida das Ciências são as definições de conceitos. De acordo com os Parâmetros, os conceitos são o ponto de chegada. Quer dizer, as experiências, as discussões, as comparações é que vão fazer com que as crianças construam os conceitos. Essa mudança é fundamental porque, à medida que a criança constrói o caminho do conhecimento, ela o assimila de fato.
Como se aplica o construtivismo às Ciências?
A psicogênese – os estudos do biólogo suíço Jean Piaget sobre o processo de desenvolvimento cognitivo das crianças que originaram o construtivismo – é uma forma de olhar para a experiência de aprender que até então não havia sido proposta. Quando se lê a biografia de um grande cientista, como Galileu Galilei, percebemos que ele teve dúvidas, imaginou hipóteses que se revelaram erradas, teve de voltar atrás em alguns conceitos para avançar em outros. Quer dizer: a construção do conhecimento não é um caminho em linha reta. Costumamos tirar da criança o direito de errar. É importante verificar como incorporamos o erro. É preciso estar atento ao processo, às hipóteses que o aluno levantou para chegar a um determinado resultado, e não simplesmente verificar se a resposta está certa ou errada
Como se utiliza o conhecimento prévio das crianças na construção do conhecimento científico?
A criança vive formulando hipóteses sobre o mundo à sua volta. Se a professora lhe perguntar se a Lua tem luz própria, ela poderá responder que não, justificando sua resposta no fato de os astronautas não terem se queimado quando estiveram por lá. Esse tipo de formulação deve ser levada em conta. Mas o conhecimento do aluno nesse caso ainda é insuficiente, mesmo que a resposta seja lógica e coerente. A partir da formulação empírica do aluno, o professor cria um conflito. A solução do conflito entre a lógica da ciência e o conhecimento empírico do aluno representa a aquisição do conhecimento.
Qual é o valor da experimentação em Ciências?
É um procedimento fundamental na construção do conhecimento científico. No espaço escolar, não há experiência que não dê certo, mesmo quando os resultados são diferentes do esperado. Nesse caso, professor e alunos devem, juntos, procurar as causas da diferença. Também vale incentivar os alunos a colocarem em prática procedimentos diferentes do padrão e analisar em que os resultados diferiram.
O conhecimento científico não pára de crescer. Como dar conta de tudo na sala de aula?
É impossível abarcar todo o conhecimento. É preciso selecionar. O principal critério a ser usado na escolha de temas para serem trabalhados junto com os alunos é partir do contexto social e da vivência de alunos e professores. Isso facilita o diálogo com outras disciplinas e coloca nas mãos do professor um instrumento flexível para adaptar as atividades ao interesse e às características da classe. Além disso, é preciso oferecer ferramentas para que a criança desenvolva a capacidade de pesquisar sozinha. Esta é uma habilidade que lhe será útil por toda a vida.
Quais são os procedimentos que devem integrar o aprendizado de Ciências?
No estudo de Ciências, a criança deve desenvolver a observação – direta, de animais, plantas etc; ou indireta, por meio de filmes, fotos, microscópios, telescópios etc. – , a experimentação, a leitura de textos previamente conhecidos pelo professor, a entrevista, a excursão e o estudo do meio. Todos esses procedimentos são meios de obter as informações necessárias à solução de um problema. No final de um trabalho ou de um projeto, o conhecimento deve ser sistematizado para não ficar solto, perdido. A sistematizacão, isto é, a ordenação do que foi aprendido é o último degrau na constituição de um determinado conhecimento, indispensável antes de se passar a outro conteúdo, pois clareia o que foi trabalhado e dá uma visão de conjunto.
Como são tratadas as atitudes no ensino de Ciências?
Essa é uma área em que existe uma demanda constante de tomada de atitude frente ao conhecimento. É um grande engano imaginar que a ciência é neutra. Longe disso, ela é um campo fértil para os jogos de interesses. Nesse sentido, as questões relacionadas ao ambiente – um dos blocos temáticos sugeridos pelos Parâmetros – são privilegiadas. O primeiro questionamento é a crença que perdurou até poucas décadas atrás de que o ser humano era senhor da natureza, e não parte dela. A partir do entendimento da complexa rede de inter-relações entre todos os seres vivos, fica mais fácil entender o porquê de não jogar lixo na rua ou desperdiçar água. A atitude deve nascer da compreensão de sua importância, não de um discurso. O bloco ser humano e saúde também é uma parte do conhecimento que se presta à tomada de várias atitudes. Ele parte da importância que é atribuída às variações individuais e estimula uma postura de auto-respeito e de aceitação das diferenças entre as pessoas. O bloco recursos tecnológicos representa igualmente uma área em que os debates e as atitudes podem florescer, pois trata-se da discussão sobre os processos, instrumentos, aparelhos e máquinas que transformam matéria e energia em produtos necessários à vida humana, questionando os prós e os contras de cada tecnologia a partir de questões simples como, por exemplo: de onde vem a luz das casas?
O que muda na avaliação do ensino de Ciências segundo os PCN?
Tradicionalmente, a avaliação baseia-se em questionários, que muitas vezes se prendem a definições e conceitos decorados pelos alunos, sem a necessária compreensão. Utilizam-se exemplos como se fossem os próprios conceitos. Como a proposta dos Parâmetros é chegar aos conceitos depois de passar por experimentos, discussões e aproximações, a avaliação à moda antiga deixa de fazer sentido. Para a avaliação, a interpretação de determinadas situações que exijam a aplicação dos conceitos apreendidos deve ganhar espaço em relação às questões isoladas e genéricas: pode ser uma história, um texto, uma figura, um experimento ou um problema. Também muda a postura do professor frente ao erro, que deixa de ser encarado como culpa do aluno e passa a ser uma sinalização para que o professor reoriente a sua aula, criando novas situações que ajudem a criança a avançar na construção do conhecimento.
Como os PCN propõem que se aborde a questão da Ciência Aplicada, ou a Tecnologia?
Uma das sugestões é iniciar essa discussão propondo aos alunos a comparação entre os procedimentos adotados pelos homens no decorrer da História para resolver seus problemas cotidianos: como faziam para levantar grandes pesos antes da invenção da alavanca e dos guindastes; como chegaram à invenção da roda; como foram criando e aperfeiçoando meios de transporte cada vez mais sofisticados.
Os PCN também tratam da educação para a saúde?
Sim, e as sugestões dizem respeito ao incentivo e à aquisição de hábitos saudáveis. Eles insistem na idéia de que é preciso ensinar os alunos a desenvolver respeito pelo próprio corpo. E o mais importante: não se pode perder de vista que o corpo humano não é uma máquina. Ele sente, se relaciona com o que está fora dele e tem uma série de necessidades.
As Ciências e os instrumentos para conhecer o mundo
Com os PCN, as definições de conceitos não são mais o ponto de partida do ensino de Ciências, e sim o ponto de chegada: as experiências, as observações, as discussões em grupo e as comparações é que permitem às crianças construir esses conhecimentos.
O que os PCN alteram no ensino de Ciências de 1ª a 4ª série?
No ensino tradicional, o ponto de partida das Ciências são as definições de conceitos. De acordo com os Parâmetros, os conceitos são o ponto de chegada. Quer dizer, as experiências, as discussões, as comparações é que vão fazer com que as crianças construam os conceitos. Essa mudança é fundamental porque, à medida que a criança constrói o caminho do conhecimento, ela o assimila de fato.
Como se aplica o construtivismo às Ciências?
A psicogênese – os estudos do biólogo suíço Jean Piaget sobre o processo de desenvolvimento cognitivo das crianças que originaram o construtivismo – é uma forma de olhar para a experiência de aprender que até então não havia sido proposta. Quando se lê a biografia de um grande cientista, como Galileu Galilei, percebemos que ele teve dúvidas, imaginou hipóteses que se revelaram erradas, teve de voltar atrás em alguns conceitos para avançar em outros. Quer dizer: a construção do conhecimento não é um caminho em linha reta. Costumamos tirar da criança o direito de errar. É importante verificar como incorporamos o erro. É preciso estar atento ao processo, às hipóteses que o aluno levantou para chegar a um determinado resultado, e não simplesmente verificar se a resposta está certa ou errada
Como se utiliza o conhecimento prévio das crianças na construção do conhecimento científico?
A criança vive formulando hipóteses sobre o mundo à sua volta. Se a professora lhe perguntar se a Lua tem luz própria, ela poderá responder que não, justificando sua resposta no fato de os astronautas não terem se queimado quando estiveram por lá. Esse tipo de formulação deve ser levada em conta. Mas o conhecimento do aluno nesse caso ainda é insuficiente, mesmo que a resposta seja lógica e coerente. A partir da formulação empírica do aluno, o professor cria um conflito. A solução do conflito entre a lógica da ciência e o conhecimento empírico do aluno representa a aquisição do conhecimento.
Qual é o valor da experimentação em Ciências?
É um procedimento fundamental na construção do conhecimento científico. No espaço escolar, não há experiência que não dê certo, mesmo quando os resultados são diferentes do esperado. Nesse caso, professor e alunos devem, juntos, procurar as causas da diferença. Também vale incentivar os alunos a colocarem em prática procedimentos diferentes do padrão e analisar em que os resultados diferiram.
O conhecimento científico não pára de crescer. Como dar conta de tudo na sala de aula?
É impossível abarcar todo o conhecimento. É preciso selecionar. O principal critério a ser usado na escolha de temas para serem trabalhados junto com os alunos é partir do contexto social e da vivência de alunos e professores. Isso facilita o diálogo com outras disciplinas e coloca nas mãos do professor um instrumento flexível para adaptar as atividades ao interesse e às características da classe. Além disso, é preciso oferecer ferramentas para que a criança desenvolva a capacidade de pesquisar sozinha. Esta é uma habilidade que lhe será útil por toda a vida.
Quais são os procedimentos que devem integrar o aprendizado de Ciências?
No estudo de Ciências, a criança deve desenvolver a observação – direta, de animais, plantas etc; ou indireta, por meio de filmes, fotos, microscópios, telescópios etc. – , a experimentação, a leitura de textos previamente conhecidos pelo professor, a entrevista, a excursão e o estudo do meio. Todos esses procedimentos são meios de obter as informações necessárias à solução de um problema. No final de um trabalho ou de um projeto, o conhecimento deve ser sistematizado para não ficar solto, perdido. A sistematizacão, isto é, a ordenação do que foi aprendido é o último degrau na constituição de um determinado conhecimento, indispensável antes de se passar a outro conteúdo, pois clareia o que foi trabalhado e dá uma visão de conjunto.
Como são tratadas as atitudes no ensino de Ciências?
Essa é uma área em que existe uma demanda constante de tomada de atitude frente ao conhecimento. É um grande engano imaginar que a ciência é neutra. Longe disso, ela é um campo fértil para os jogos de interesses. Nesse sentido, as questões relacionadas ao ambiente – um dos blocos temáticos sugeridos pelos Parâmetros – são privilegiadas. O primeiro questionamento é a crença que perdurou até poucas décadas atrás de que o ser humano era senhor da natureza, e não parte dela. A partir do entendimento da complexa rede de inter-relações entre todos os seres vivos, fica mais fácil entender o porquê de não jogar lixo na rua ou desperdiçar água. A atitude deve nascer da compreensão de sua importância, não de um discurso. O bloco ser humano e saúde também é uma parte do conhecimento que se presta à tomada de várias atitudes. Ele parte da importância que é atribuída às variações individuais e estimula uma postura de auto-respeito e de aceitação das diferenças entre as pessoas. O bloco recursos tecnológicos representa igualmente uma área em que os debates e as atitudes podem florescer, pois trata-se da discussão sobre os processos, instrumentos, aparelhos e máquinas que transformam matéria e energia em produtos necessários à vida humana, questionando os prós e os contras de cada tecnologia a partir de questões simples como, por exemplo: de onde vem a luz das casas?
O que muda na avaliação do ensino de Ciências segundo os PCN?
Tradicionalmente, a avaliação baseia-se em questionários, que muitas vezes se prendem a definições e conceitos decorados pelos alunos, sem a necessária compreensão. Utilizam-se exemplos como se fossem os próprios conceitos. Como a proposta dos Parâmetros é chegar aos conceitos depois de passar por experimentos, discussões e aproximações, a avaliação à moda antiga deixa de fazer sentido. Para a avaliação, a interpretação de determinadas situações que exijam a aplicação dos conceitos apreendidos deve ganhar espaço em relação às questões isoladas e genéricas: pode ser uma história, um texto, uma figura, um experimento ou um problema. Também muda a postura do professor frente ao erro, que deixa de ser encarado como culpa do aluno e passa a ser uma sinalização para que o professor reoriente a sua aula, criando novas situações que ajudem a criança a avançar na construção do conhecimento.
Como os PCN propõem que se aborde a questão da Ciência Aplicada, ou a Tecnologia?
Uma das sugestões é iniciar essa discussão propondo aos alunos a comparação entre os procedimentos adotados pelos homens no decorrer da História para resolver seus problemas cotidianos: como faziam para levantar grandes pesos antes da invenção da alavanca e dos guindastes; como chegaram à invenção da roda; como foram criando e aperfeiçoando meios de transporte cada vez mais sofisticados.
Os PCN também tratam da educação para a saúde?
Sim, e as sugestões dizem respeito ao incentivo e à aquisição de hábitos saudáveis. Eles insistem na idéia de que é preciso ensinar os alunos a desenvolver respeito pelo próprio corpo. E o mais importante: não se pode perder de vista que o corpo humano não é uma máquina. Ele sente, se relaciona com o que está fora dele e tem uma série de necessidades.
Temas Transvers
A prática da transversalidade
Os temas transversais representam a maior das novidades propostas às escolas pelos PCN. Cada um deles apresenta questões urgentes da sociedade brasileira que complementam os conteúdos escolares. Tratam de ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural.
O que são os temas transversais?
Eles representam a maior das novidades propostas às escolas pelos PCN. Cada um deles apresenta questões urgentes da sociedade brasileira que precisam ser discutidas, e cujos conteúdos passam por todas as áreas, transversalizando as disciplinas convencionais. São questões que complementam os conteúdos escolares e referem-se a ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural — os chamados temas transversais. Eles recebem essa definição porque não são disciplinas a mais no currículo escolar, nem se limitam a uma determinada área do conhecimento. Os temas transversais implicam não só a sua discussão por parte dos professores, como a adoção de atitudes coerentes com a educação centrada no exercício da cidadania. Saúde e meio ambiente costumam ser trabalhados com mais facilidade, pois representam linhas de pensamento construídas e aceitas socialmente. Para muitos, a orientação sexual é um tabu, enquanto a ética e a pluralidade cultural deixam muito mais à mostra o modo como o educador pensa e age.
Qual é a importância dos temas transversais dentro dos Parâmetros?
O conceito de tema transversal surgiu na Inglaterra quando o currículo mais fechado do mundo começou a abrir espaço para outras concepções de educação, como a idéia de que o conhecimento pode ser construído por meio de atividades. Da observação dessas experiências surgiu a percepção de que existem temas que permeiam os conteúdos das várias áreas do conhecimento. Os temas transversais são exatamente isso.
Os temas transversais podem estar, de fato, presentes em todas as disciplinas?
Sim. Cada professor deve olhar para o seu ciclo e procurar os objetivos convergentes. O ideal é que a escola estruture o seu projeto educativo, com a participação de todos os professores. Também seria ideal que o professor fosse vinculado a uma determinada escola, isto é, que estivesse totalmente comprometido com o projeto da "sua" escola e não precisasse se dividir em várias instituições. Quando o currículo é montado sobre um projeto consistente, os temas transversais surgem naturalmente, pois são os eixos que levam à formação geral do cidadão. Por isso, eles não podem estar nas mãos de apenas um professor, mas devem passar pela postura coerente do conjunto de profissionais da escola.
Os temas transversais exigem uma maior integração entre os professores?
Sim. Os temas transversais obrigam os professores a se colocarem no lugar do outro. Esse outro pode ser tanto o aluno quanto o professor de uma outra área, ou até mesmo os demais profissionais da escola, desde os serventes até a diretora. Por exemplo: o professor não aceita um trabalho entregue com atraso, mas não marca prazo para devolver as provas aos alunos. Claro que se o trabalho não fizer sentido para a criança, ela vai entregá-lo só porque tem medo de tirar nota baixa. O papel da escola é coordenar e compatibilizar a construção do conhecimento com a realidade cotidiana, e os temas transversais são um instrumento privilegiado para isso. O professor tem a tendência de achar que vai ter de ensinar a sua disciplina e mais os temas transversais. Não é nada disso. Os temas também levam os professores a fazerem parcerias, para que um não repita o que o outro está ensinando. O trabalho deve ser feito em equipe: é importante que haja cobertura dos demais professores. Quando isso não acontece, o aluno muitas vezes consegue distinguir entre quem está realmente interessado em ajudá-lo a descobrir, a aprender e a crescer, e quem não está. Mas nem sempre isso acontece e o professor bem-intencionado acaba pagando pelos demais. As equipes devem ser co-autoras dos projetos das escolas.
Quais são os fundamentos dos temas transversais?
Respeito, diálogo, justiça e solidariedade devem estar presentes nas relações que se desenrolam na escola o tempo todo. Estes são os fundamentos da educação e dos temas transversais. A escola foi criada para dar educação formal ao cidadão. A sua função é socializadora. Por isso, é importante que não só os professores, mas todas as pessoas que trabalham na escola tenham uma postura coerente. Se a merendeira atira o lanche da criança de qualquer jeito, ela não está dando um bom exemplo de respeito mútuo. É uma questão ética. Nesse sentido, a direção escolar tem um papel importante, pois a maneira como diretores e supervisores tratam os professores é reproduzida na relação com os alunos.
Os temas transversais levam a um maior envolvimento com a comunidade?
Sim. À medida que a escola incorpora as discussões que estão agitando a comunidade, automaticamente, quem está ao redor sente-se tocado, identificado e começa a participar. Para que isso aconteça, é preciso que a escola como um todo tenha um projeto educativo que contemple a comunidade.
A idéia de sempre partir do conhecimento prévio dos alunos também é possível no caso dos temas transversais?
Sim. Aliás, isso vale também para o professor. Isso mesmo, os professores também possuem conhecimento e experiência adquiridos em anos de prática de sala de aula. No entanto, eles geralmente esquecem esse procedimento em relação a seu próprio trabalho. Por exemplo, é comum ver os professores com um caderno em branco no planejamento do início do ano. Onde ficaram as anotações, as experiências anteriores? É preciso registrá-las para que sejam usadas. Os próprios documentos dos PCN devem ser material de consulta quando surgir uma dúvida, o professor vai lá e relê. Por isso, devem ser riscados, anotados, questionados.
Há mais de uma forma de trabalhar os temas transversais?
Sim. Existem três vertentes para o trabalho com os temas transversais. Em primeiro lugar, o professor deve incluir em seu planejamento de aulas o levantamento de questões relacionadas aos temas transversais. A segunda forma de trabalhar é por meio de projetos. Os projetos são questões mais amplas que envolvem a participação de várias disciplinas. Um jeito interessante de começar a montar um projeto é fazer um mapa conceitual ou semântico. A partir do tema escolhido, colocam-se no papel os vários aspectos que serão abordados, mostrando as relações entre eles. É uma forma de ter clareza quanto ao que se pretende com o projeto. A terceira linha de trabalho é a atenção permanente. O professor precisa estar atento o tempo todo para perceber a necessidade de agir em momentos críticos. Por exemplo: se ele identifica uma atitude racista entre seus alunos, deve interferir e levantar o assunto imediatamente. Também deve se auto-observar para que sua postura seja coerente com seu discurso.
Como tratar a orientação sexual para as crianças de 1a a 4a série?
Na 4ª série, isso pode aparecer naturalmente como tema na sala de aula, quando as crianças estudam o corpo humano. Mas a referência dos Parâmetros é clara: a orientação sexual deve ir muito além da anatomia. Afinal, a sexualidade atravessa mesmo a vida da escola com todo o seu potencial explosivo. Os PCN, porém, se propõem a facilitar a vida do professor nesse aspecto.
A prática da transversalidade
Os temas transversais representam a maior das novidades propostas às escolas pelos PCN. Cada um deles apresenta questões urgentes da sociedade brasileira que complementam os conteúdos escolares. Tratam de ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual e pluralidade cultural.
O que são os temas transversais?
Eles representam a maior das novidades propostas às escolas pelos PCN. Cada um deles apresenta questões urgentes da sociedade brasileira que precisam ser discutidas, e cujos conteúdos passam por todas as áreas, transversalizando as disciplinas convencionais. São questões que complementam os conteúdos escolares e referem-se a ética, saúde, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural — os chamados temas transversais. Eles recebem essa definição porque não são disciplinas a mais no currículo escolar, nem se limitam a uma determinada área do conhecimento. Os temas transversais implicam não só a sua discussão por parte dos professores, como a adoção de atitudes coerentes com a educação centrada no exercício da cidadania. Saúde e meio ambiente costumam ser trabalhados com mais facilidade, pois representam linhas de pensamento construídas e aceitas socialmente. Para muitos, a orientação sexual é um tabu, enquanto a ética e a pluralidade cultural deixam muito mais à mostra o modo como o educador pensa e age.
Qual é a importância dos temas transversais dentro dos Parâmetros?
O conceito de tema transversal surgiu na Inglaterra quando o currículo mais fechado do mundo começou a abrir espaço para outras concepções de educação, como a idéia de que o conhecimento pode ser construído por meio de atividades. Da observação dessas experiências surgiu a percepção de que existem temas que permeiam os conteúdos das várias áreas do conhecimento. Os temas transversais são exatamente isso.
Os temas transversais podem estar, de fato, presentes em todas as disciplinas?
Sim. Cada professor deve olhar para o seu ciclo e procurar os objetivos convergentes. O ideal é que a escola estruture o seu projeto educativo, com a participação de todos os professores. Também seria ideal que o professor fosse vinculado a uma determinada escola, isto é, que estivesse totalmente comprometido com o projeto da "sua" escola e não precisasse se dividir em várias instituições. Quando o currículo é montado sobre um projeto consistente, os temas transversais surgem naturalmente, pois são os eixos que levam à formação geral do cidadão. Por isso, eles não podem estar nas mãos de apenas um professor, mas devem passar pela postura coerente do conjunto de profissionais da escola.
Os temas transversais exigem uma maior integração entre os professores?
Sim. Os temas transversais obrigam os professores a se colocarem no lugar do outro. Esse outro pode ser tanto o aluno quanto o professor de uma outra área, ou até mesmo os demais profissionais da escola, desde os serventes até a diretora. Por exemplo: o professor não aceita um trabalho entregue com atraso, mas não marca prazo para devolver as provas aos alunos. Claro que se o trabalho não fizer sentido para a criança, ela vai entregá-lo só porque tem medo de tirar nota baixa. O papel da escola é coordenar e compatibilizar a construção do conhecimento com a realidade cotidiana, e os temas transversais são um instrumento privilegiado para isso. O professor tem a tendência de achar que vai ter de ensinar a sua disciplina e mais os temas transversais. Não é nada disso. Os temas também levam os professores a fazerem parcerias, para que um não repita o que o outro está ensinando. O trabalho deve ser feito em equipe: é importante que haja cobertura dos demais professores. Quando isso não acontece, o aluno muitas vezes consegue distinguir entre quem está realmente interessado em ajudá-lo a descobrir, a aprender e a crescer, e quem não está. Mas nem sempre isso acontece e o professor bem-intencionado acaba pagando pelos demais. As equipes devem ser co-autoras dos projetos das escolas.
Quais são os fundamentos dos temas transversais?
Respeito, diálogo, justiça e solidariedade devem estar presentes nas relações que se desenrolam na escola o tempo todo. Estes são os fundamentos da educação e dos temas transversais. A escola foi criada para dar educação formal ao cidadão. A sua função é socializadora. Por isso, é importante que não só os professores, mas todas as pessoas que trabalham na escola tenham uma postura coerente. Se a merendeira atira o lanche da criança de qualquer jeito, ela não está dando um bom exemplo de respeito mútuo. É uma questão ética. Nesse sentido, a direção escolar tem um papel importante, pois a maneira como diretores e supervisores tratam os professores é reproduzida na relação com os alunos.
Os temas transversais levam a um maior envolvimento com a comunidade?
Sim. À medida que a escola incorpora as discussões que estão agitando a comunidade, automaticamente, quem está ao redor sente-se tocado, identificado e começa a participar. Para que isso aconteça, é preciso que a escola como um todo tenha um projeto educativo que contemple a comunidade.
A idéia de sempre partir do conhecimento prévio dos alunos também é possível no caso dos temas transversais?
Sim. Aliás, isso vale também para o professor. Isso mesmo, os professores também possuem conhecimento e experiência adquiridos em anos de prática de sala de aula. No entanto, eles geralmente esquecem esse procedimento em relação a seu próprio trabalho. Por exemplo, é comum ver os professores com um caderno em branco no planejamento do início do ano. Onde ficaram as anotações, as experiências anteriores? É preciso registrá-las para que sejam usadas. Os próprios documentos dos PCN devem ser material de consulta quando surgir uma dúvida, o professor vai lá e relê. Por isso, devem ser riscados, anotados, questionados.
Há mais de uma forma de trabalhar os temas transversais?
Sim. Existem três vertentes para o trabalho com os temas transversais. Em primeiro lugar, o professor deve incluir em seu planejamento de aulas o levantamento de questões relacionadas aos temas transversais. A segunda forma de trabalhar é por meio de projetos. Os projetos são questões mais amplas que envolvem a participação de várias disciplinas. Um jeito interessante de começar a montar um projeto é fazer um mapa conceitual ou semântico. A partir do tema escolhido, colocam-se no papel os vários aspectos que serão abordados, mostrando as relações entre eles. É uma forma de ter clareza quanto ao que se pretende com o projeto. A terceira linha de trabalho é a atenção permanente. O professor precisa estar atento o tempo todo para perceber a necessidade de agir em momentos críticos. Por exemplo: se ele identifica uma atitude racista entre seus alunos, deve interferir e levantar o assunto imediatamente. Também deve se auto-observar para que sua postura seja coerente com seu discurso.
Como tratar a orientação sexual para as crianças de 1a a 4a série?
Na 4ª série, isso pode aparecer naturalmente como tema na sala de aula, quando as crianças estudam o corpo humano. Mas a referência dos Parâmetros é clara: a orientação sexual deve ir muito além da anatomia. Afinal, a sexualidade atravessa mesmo a vida da escola com todo o seu potencial explosivo. Os PCN, porém, se propõem a facilitar a vida do professor nesse aspecto.

